O Brasil é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar, com cerca de 9 milhões de hectares cultivados, e também é pioneiro global no uso do controle biológico nessa cultura. Segundo a Embrapa, pelo menos 4,5 milhões de hectares de cana já empregam algum tipo de controle biológico de praga — um percentual que corresponde a mais da metade da área nacional. Esse número não é coincidência: a cana foi a primeira grande cultura brasileira a adotar em escala comercial o biocontrole, e essa tradição de 50 anos continua se expandindo. 

Na safra 2024/25, a cana representou cerca de 10% do uso total de bioinsumos no Brasil, segundo levantamento da CropLife Brasil. Mas os desafios fitossanitários do setor são crescentes: a cigarrinha-das-raízes, que 15 anos atrás era considerada praga secundária, hoje rivaliza com a broca em dano econômico. O controle químico isolado não é mais suficiente — e o manejo integrado com biológicos se tornou a estratégia central dos melhores produtores. 

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A cana-de-açúcar e o controle biológico: uma história de 50 anos 

A relação entre a cana-de-açúcar e o controle biológico no Brasil é a mais longa e bem-sucedida de qualquer cultura agrícola do país. Em 1974, a vespinha Cotesia flavipes foi introduzida do sul da Ásia para o controle da broca-da-cana (Diatraea saccharalis).  

O resultado foi histórico: nas décadas seguintes, o parasitoide reduziu perdas de até US$ 100 milhões por ano e derrubou a infestação da broca de 10% para 2% nos canaviais paulistas, segundo dados do Instituto Biológico. 

Também na década de 1970, o fungo Metarhizium anisopliae começou a ser utilizado em larga escala para o controle das cigarrinhas-das-raízes, tornando-se um dos maiores exemplos globais de biocontrole aplicado. Hoje, mais de 600 bioinsumos registrados para pragas estão disponíveis no Brasil, e o setor sucroenergético continua na vanguarda dessa adoção. 

Veja também: Controle biológico no manejo integrado de pragas: como funciona 

Principais pragas da cana-de-açúcar e seus impactos econômicos 

Pelo menos 5% do custo de produção de açúcar e etanol é afetado por pragas, entre as quais se destacam a broca-da-cana, as cigarrinhas-das-raízes e o bicudo-da-cana. Conhecer o ciclo biológico e os danos de cada uma é o primeiro passo para um programa de biocontrole eficaz. 

Cigarrinha-das-raízes (Mahanarva fimbriolata): de praga secundária à ameaça principal 

cigarrinha-das-raízes é hoje, junto com a broca-da-cana, o problema que mais causa danos econômicos no setor canavieiro. Há apenas 15 anos era considerada uma praga secundária — a mudança de manejo para colheita mecanizada sem queima transformou esse cenário radicalmente: a palhada acumulada no solo cria um microclima ideal para o desenvolvimento das ninfas. 

As ninfas vivem em colônias no solo, envoltas em uma espuma branca característica na base dos colmos, alimentando-se das raízes e reduzindo a absorção de água e nutrientes. Os adultos alados migram para a parte aérea e continuam sugando colmos e folhas, injetando saliva fitotóxica que causa manchas amareladas que evoluem para coloração avermelhada — o sintoma conhecido como “queima da cana”. 

Os prejuízos são alarmantes: reduções de 25 a 30% na produtividade em áreas afetadas são comuns, com perdas chegando a 60% em infestações severas, como observado no Triângulo Mineiro. A redução no teor de sacarose e o aumento de fibra comprometem adicionalmente a qualidade do produto final. 

O controle químico isolado mostrou seus limites: o uso repetitivo de poucos princípios ativos selecionou populações com menor sensibilidade aos inseticidas em algumas regiões, obrigando a reaplicações sucessivas sem efetividade adequada. O manejo integrado com biológicos tornou-se indispensável. 

Broca-da-cana (Diatraea saccharalis): a praga histórica do setor 

A broca-da-cana é considerada a principal praga da cultura, ocorrendo na maioria das regiões produtoras no mundo. As lagartas perfuram os colmos e abrem galerias que causam: morte das gemas, tombamento de plantas jovens, formação de brotações laterais e, principalmente, perda de peso e qualidade dos colmos por apodrecimento interno. 

O impacto econômico direto é quantificável: cada 1% de entrenós brocados corresponde a uma redução de aproximadamente 0,7 tonelada de cana por hectare. Além do dano direto, as galerias abertas pela broca são porta de entrada para fungos como Fusarium e Colletotrichum, que provocam podridão vermelha e multiplicam os danos. O nível de controle é de 2 a 3% de entrenós brocados. 

Bicudo-da-cana (Sphenophorus levis): dano silencioso no rizoma 

O bicudo-da-cana é uma das pragas mais destrutivas e difíceis de controlar por ser subterrânea durante quase todo seu ciclo. As fêmeas perfuram os rizomas e colmos subterrâneos da cana e depositam ovos no interior dos colmos. As larvas se desenvolvem alimentando-se dos tecidos internos, causando morte das brotações e redução drástica do número de colmos por touceira. 

O nível de dano econômico é de apenas 3% de tocos atacados: canaviais com mais de 30% de tocos atacados vão diretamente para reforma. As perdas médias situam-se entre 20 e 30 toneladas de cana por hectare por ano, além de reduzir a longevidade do canavial — um dos maiores impactos econômicos por talhão no setor. 

Cigarrinha-das-folhas (Mahanarva posticata): ameaça crescente 

cigarrinha-das-folhas é uma praga crescente nos canaviais do Centro-Sul, favorecida pelas mesmas condições de umidade e temperatura que impulsionam a cigarrinha-das-raízes. As ninfas, identificadas pela espuma esbranquiçada nas folhas, perfuram e contaminam raízes, prejudicando absorção de água e nutrientes. Os adultos liberam toxinas ao sugar folhas e colmos, causando manchas que evoluem para necrose. 

O gênero Mahanarva possui 46 espécies descritas, sendo M. fimbriolata (cigarrinha-das-raízes) e M. posticata (cigarrinha-das-folhas) as mais comuns na cana. O manejo integrado de ambas com estratégias biológicas é crescentemente necessário nas regiões de maior expansão do cultivo. 

Principais pragas da cana-de-açúcar: resumo de danos e níveis de controle 

Praga Nome científico Dano principal Perda estimada Nível de controle 
Cigarrinha-das-raízes Mahanarva fimbriolata Suga raízes (ninfas) e folhas/colmos (adultos); “queima da cana” 25% a 60% da produção 2 ninfas por metro por um mês 
Broca-da-cana Diatraea saccharalis Galerias no colmo; coração morto; porta de entrada de fungos ~0,7 t/ha por 1% de brocamento 2 a 3% de entrenós brocados 
Bicudo-da-cana Sphenophorus levis Perfura rizoma; mata brotações; reduz longevidade do canavial 20-30 t/ha/ano; reforma antecipada 3% de tocos atacados 
Cigarrinha-das-folhas Mahanarva posticata Suga folhas/raízes; necrose foliar; reduz fotossíntese Variável; crescente em novas áreas Monitoramento de espuma e adultos 

Veja também: Inseticidas biológicos: o que são, adoção e benefícios 

Agentes biológicos para o controle de pragas na cana: quais usar e quando 

O arsenal de agentes biológicos disponíveis para a cana-de-açúcar é o mais amplo de qualquer cultura no Brasil. A escolha do agente correto depende da praga-alvo, do estágio de infestação, das condições climáticas e do sistema de aplicação disponível na propriedade. 

Metarhizium anisopliae: o fungo da cigarrinha-das-raízes 

fungo entomopatogênico Metarhizium anisopliae é o bioinsumo mais tradicional para o controle das cigarrinhas-das-raízes, utilizado no Brasil desde a década de 1970 — um dos programas de biocontrole microbiano mais antigos e bem-sucedidos do mundo. Com o passar do tempo, novas cepas mais eficientes foram selecionadas e a tecnologia de formulação avançou significativamente. 

O fungo atua por contato: os esporos aderem à cutícula da ninfa ou do adulto, germinam, penetram no corpo do inseto e se multiplicam internamente, liberando toxinas e consumindo os tecidos até a morte. O inseto morto esporula, contaminando outros indivíduos próximos — criando um efeito de multiplicação no campo ao longo das semanas. 

Formulações disponíveis: granulada (fungo desenvolvido em grãos de arroz), pó molhável (esporos puros secos) e dispersão oleosa (maior eficiência e aderência). A aplicação é feita com pulverizadores tratorizados ou aviões agrícolas. Eficácia condicional à umidade relativa acima de 70%: a aplicação no início das chuvas, quando as ninfas estão em fases jovens e ainda próximas à superfície do solo, é o posicionamento mais eficaz. 

Beauveria bassiana: controle do bicudo e suporte à broca 

O fungo Beauveria bassiana é o bioinsumo mais utilizado para o controle do bicudo-da-cana (Sphenophorus levis). Sua aplicação é feita com equipamento tratorizado cortador de soqueira ou com barras pulverizadoras com bicos em pingentes ao longo da linha de cana, garantindo deposição próxima ao rizoma onde o inseto se desenvolve. 

Nas áreas de expansão do cultivo de cana, Beauveria bassiana também pode ser utilizado para o controle de lagartas da broca-da-cana em primeiro instar, aplicado na dosagem mínima de 6×10¹² conídios por hectare. A sinergia com Cotesia flavipes — o parasitoide da broca — potencializa o controle quando usados em sequência dentro do programa de MIP. 

Cotesia flavipes e Trichogramma galloi: parasitoides da broca-da-cana 

A vespinha Cotesia flavipes é o maior sucesso do controle biológico clássico no Brasil. Introduzida em 1974, hoje é liberada em mais de 4 milhões de hectares de canavial — a maior área de controle biológico com um único parasitoide no mundo. O parasitoide deposita ovos dentro das lagartas da broca; as larvas da vespa consomem o hospedeiro de dentro para fora, matando-o antes da pupação. 

O monitoramento da Diatraea saccharalis é feito com armadilha de feromônio com fêmeas e pupas de fêmeas. As liberações de Cotesia devem iniciar 21 dias após a detecção de 10 machos em 30% das armadilhas, em três liberações espaçadas de 7 dias, na dose de 8 tubetes por hectare. A liberação atual é feita por drones, que permitem distribuição mais eficiente em grandes áreas sem pisoteio. 

Trichogramma galloi, parasitoide de ovos da mariposa da broca, pode ser usado em associação com Cotesia flavipes para ampliar o controle: enquanto Cotesia parasita as lagartas, Trichogramma elimina os ovos antes mesmo da eclosão, podendo atingir até 60% de controle dos ovos quando as duas espécies são usadas em conjunto. As liberações de Trichogramma são de 50.000 indivíduos por hectare, em três aplicações espaçadas de 7 dias. 

Pseudomonas spp.: a nova geração de bioinseticida bacteriano para sugadores 

Enquanto os fungos entomopatogênicos e os parasitoides dominaram o biocontrole da cana por décadas, as bactérias do gênero Pseudomonas representam a nova fronteira do controle biológico de pragas sugadoras — precisamente o grupo que mais desafia o produtor nos últimos anos. 

Duas espécies são especialmente relevantes: Pseudomonas chlororaphis e Pseudomonas fluorescens. Diferente dos fungos, que atuam por contato, as Pseudomonas possuem múltiplos mecanismos de ação: 

  • Ação bioinseticida direta por ingestão: P. chlororaphis produz toxinas proteicas (FitD e FitE) e metabólitos como cianeto de hidrogênio (HCN) e terpenos que atacam o sistema digestivo e nervoso dos insetos, causando paralisia e morte; ao se alimentar da planta tratada, a cigarrinha ingere esses compostos letais 
  • Ação de repelência: compostos voláteis liberados pelas bactérias — como terpenos e glicosídeos fenólicos — exercem efeito fumigante e repelente, afastando novos indivíduos da área tratada e reduzindo a reinfestação 
  • Ação enzimática: P. fluorescens produz quitinases que degradam a quitina do exoesqueleto dos insetos, enfraquecendo sua estrutura e facilitando a penetração de outros agentes de controle 
  • Promoção de crescimento vegetal: os sideróforos e enzimas produzidos pelas Pseudomonas estimulam o crescimento radicular e induzem resistência sistêmica da planta, resultando em canaviais mais vigorosos e tolerantes ao ataque de pragas 

Principais agentes biológicos para pragas da cana: comparativo técnico 

Agente biológico Tipo Pragas-alvo Modo de ação Observações práticas 
Metarhizium anisopliae Fungo entomopatogênico Cigarrinha-das-raízes (ninfas e adultos) Contato: esporos penetram a cutícula Aplicar com UR > 70%; início das chuvas; resultado progressivo 
Beauveria bassiana Fungo entomopatogênico Bicudo-da-cana; broca (1° instar) Contato: esporos penetram a cutícula Aplicação tratorizada próxima ao rizoma; mínimo 6×10¹² conídios/ha para broca 
Cotesia flavipes Parasitoide (vespinha) Broca-da-cana (lagartas) Parasitismo interno das lagartas 4 mi ha cobertos/ano; liberar 21 dias após detecção; 3 liberações, 7 dias entre si 
Trichogramma galloi Parasitoide (vespinha) Broca-da-cana (ovos) Parasitismo de ovos da mariposa 50.000 indivíduos/ha; usar associado a Cotesia para controle complementar 
Pseudomonas spp. Bactéria entomopatogênica Cigarrinha-das-raízes; sugadores em geral Ingestão + repelência + promoção vegetal Nova geração; amplo espectro; sem necessidade de refrigeração 

Veja também: Bioinseticida: novos horizontes no controle de pragas 

Como monitorar pragas na cana: quando e como agir 

O monitoramento é a base de qualquer programa de MIP eficiente. Na cana-de-açúcar, o calendário de monitoramento deve acompanhar a sazonalidade das pragas-chave: 

  • Cigarrinha-das-raízes: iniciar levantamentos 20 dias após as primeiras chuvas da primavera (setembro/outubro no Centro-Sul); contar ninfas em 1 metro dos dois lados da planta, avaliando o solo até 5 cm de profundidade; mínimo de 5 pontos por talhão, com 10 pontos a cada 200 ha; nível de controle: 2 ninfas por metro 
  • Broca-da-cana: monitoramento contínuo com armadilha de feromônio com fêmeas e pupas de fêmeas; liberar Cotesia 21 dias após detecção de 10 machos em 30% das armadilhas; vistoriar colmos para verificar % de entrenós brocados periodicamente 
  • Bicudo-da-cana: inspeção visual de tocos atacados após colheita; nível de dano de 3% de tocos atacados; canaviais com >30% de tocos atacados devem ser reformados 
  • Cigarrinha-das-folhas: inspeção visual buscando espuma nas folhas e adultos; monitorar umidade e temperatura, pois a praga prolifera em períodos chuvosos com calor; talhões com histórico de infestação devem ser vistoriados com frequência semanal no período crítico 

As condições climáticas influenciam diretamente os picos populacionais — especialmente para as cigarrinhas, que tendem a explodir após períodos de chuva intensa. Integrar dados de monitoramento climático ao programa de MIP permite antecipar surtos e posicionar os biológicos preventivamente, antes que a infestação atinja o nível de controle. 

Sintoma (espuma) da cigarrinha-das-raízes na base da planta

Protocolo de manejo associado: como combinar biológico e químico na cana 

O manejo associado é a estratégia que combina biológicos e químicos de forma planejada, tirando o melhor de cada tecnologia sem que uma comprometa a outra. Na cana-de-açúcar, essa abordagem é especialmente relevante porque os programas clássicos de biocontrole (MetarhiziumCotesia) precisam de condições específicas para funcionar bem — e o químico pode ser necessário em surtos ou no início da infestação. 

Protocolo para cigarrinha-das-raízes 

O manejo associado mais eficaz para cigarrinha-das-raízes combina inseticida químico e Metarhizium anisopliae na mesma operação: 

  • 1ª aplicação (início da chuva, ninfas jovens): mistura de 85-90% da dose do inseticida químico com dose completa de Metarhizium; o químico suprime rapidamente a população inicial enquanto o fungo começa a colonizar o ambiente 
  • 2ª aplicação (7-14 dias depois): repetição da mesma mistura se monitoramento indicar população ainda acima do nível de controle; o fungo já estabelecido começa a esporular sobre insetos mortos, multiplicando o efeito 
  • Aplicações subsequentes: priorizar Metarhizium isolado ou Pseudomonas spp. para manutenção do controle sem pressão adicional de seleção química; se canavial estiver alto, preferir Metarhizium ou Isaria (Cordyceps fumosorosea

Importante: verificar compatibilidade do inseticida químico com o Metarhizium antes da mistura — fungicidas e alguns grupos de inseticidas podem reduzir a viabilidade dos esporos. Sempre seguir as recomendações do fabricante do bioinsumo. 

Protocolo para broca-da-cana 

O programa de controle da broca combina parasitoides em sequência, com suporte de outros agentes conforme necessidade: 

  • Outubro/novembro (início de infestação): iniciar com inseticida químico diamida ou espinosina + metoxifenozida para suprimir a população larval inicial 
  • Após detecção nas armadilhas: liberar Trichogramma galloi (50.000 indivíduos/ha) para parasitar ovos frescos da mariposa; 3 liberações espaçadas de 7 dias 
  • 21 dias após o pico nas armadilhas: iniciar liberações de Cotesia flavipes (8 tubetes/ha); 3 liberações espaçadas de 7 dias via drone 
  • Se necessária 3ª intervenção: usar Beauveria bassiana para controle de lagartas em estágio inicial, ou voltar ao parasitoide conforme monitoramento 

Em momentos em que broca e cigarrinha estão presentes simultaneamente, o fungo Cordyceps fumosorosea (antes Isaria fumosorosea) é uma alternativa biológica que controla ambas as pragas — além de ter ação sobre Sphenophorus levis, pulgões e cupins. 

Veja também: Manejo integrado de pragas: como combinar controle biológico e químico 

NETURE™: bioinseticida de nova geração para pragas sugadoras da cana 

Desenvolvido pela Syngenta Biologicals, NETURE™ é um bioinseticida microbiológico de alta performance formulado com cepas selecionadas de Pseudomonas chlororaphis e Pseudomonas fluorescens — as mesmas bactérias descritas na seção anterior, em formulação industrial com garantia de concentração e estabilidade. O produto tem registro para uso contra a cigarrinha-das-raízes na cana-de-açúcar, uma das pragas que mais cresce em importância econômica no setor. 

O que diferencia NETURE™ dos bioinseticidas fúngicos tradicionais é justamente o modo de ação bacteriano com múltiplas frentes de ataque: 

  • Ação bioinseticida por ingestão: as toxinas FitD e FitE e os metabólitos (HCN, terpenos) da P. chlororaphis atacam o sistema digestivo e nervoso das cigarrinhas; a praga ingere os compostos ao sugar a planta tratada e sofre paralisia progressiva até a morte 
  • Ação repelente: compostos voláteis produzidos pelas bactérias exercem efeito fumigante e repelente, reduzindo a reinfestação da área tratada 
  • Promoção de crescimento: P. fluorescens estimula o crescimento radicular e induz resistência sistêmica, resultando em plantas mais vigorosas e tolerantes ao ataque de pragas e estresses abióticos 

Os diferenciais práticos de NETURE™ foram projetados para facilitar a adoção no campo: 

  • Sem necessidade de refrigeração: pode ser armazenado e manuseado à temperatura ambiente como um defensivo convencional, eliminando o entrave logístico dos bioinseticidas fúngicos que exigem cadeia de frio 
  • Compatibilidade com defensivos químicos: pode ser misturado em tanque com os principais inseticidas e fungicidas (respeitando recomendações do rótulo), permitindo aplicação conjunta sem operações extras 
  • Rapidez de ação: os metabólitos inseticidas já estão disponíveis logo após a aplicação, proporcionando controle imediato — uma vantagem sobre fungos entomopatogênicos que precisam de dias para esporular e matar o inseto 
  • Amplo espectro: além da cigarrinha-das-raízes, controla outros sugadores de difícil manejo, como cigarrinha-das-folhas, percevejos e mosca-branca 

Na prática, NETURE™ se encaixa como ferramenta de manutenção do controle após a supressão inicial com químicos, e como ferramenta preventiva no início da safra — especialmente em talhões com histórico de alta pressão de cigarrinha. A compatibilidade com Metarhizium e outros fungos deve ser verificada conforme o protocolo de aplicação. 

Anúncio completo do inseticida biológico NETURE™ da Syngenta Biologicals, usado no controle de pragas como o ácaro-rajado. A imagem principal exibe um agricultor no campo com o slogan "O biológico que abre novos horizontes no controle de pragas". A peça destaca três características: Amplo Espectro: para cigarrinha-do-milho, percevejos, mosca-branca e outros sugadores. Versátil: não necessita de refrigeração e é compatível com misturas de tanque. Maior Rapidez: de ação sobre os biológicos.

Resultados e vantagens do controle biológico na cana-de-açúcar 

Os resultados do controle biológico na cana-de-açúcar são documentados há décadas e continuam se confirmando com as novas soluções. Produtores que estruturaram programas de MIP com biológicos relatam benefícios em múltiplas dimensões: 

  • Controle mais duradouro: agentes como Metarhizium se estabelecem na área e criam um banco de esporos no solo que continua agindo nas safras seguintes, reduzindo progressivamente a pressão da cigarrinha ao longo do tempo 
  • Preservação de inimigos naturais: bioinsumos seletivos não eliminam predadores e parasitoides nativos presentes no canavial, mantendo mecanismos naturais de regulação que reduzem a necessidade de intervenções 
  • Manejo da resistência: a rotação entre biológicos e químicos com modos de ação distintos é a principal estratégia para preservar a eficácia dos inseticidas e evitar a seleção de populações resistentes — problema documentado na cigarrinha-das-raízes com o uso repetitivo de poucos princípios ativos 
  • Redução de custos no médio prazo: produtores associados à Canaoeste que estruturaram programas com bioinsumos relatam melhora de margem ao longo das safras, com menor frequência de aplicações químicas e custos operacionais mais baixos 
  • Conformidade com mercados e certificações: etanol e açúcar com rastreabilidade de práticas sustentáveis têm acesso a mercados diferenciados; a adoção de biológicos facilita certificações que agregam valor ao produto final 
  • Saúde do solo e biodiversidade: maior preservação da microbiota do solo e da macrofauna benéfica, com impactos positivos na estrutura, fertilidade e longevidade dos canaviais 

A cana-de-açúcar, que ajudou a escrever os primeiros capítulos do controle biológico no Brasil, continua liderando esse movimento rumo a um manejo de pragas mais inovador, sustentável e eficaz. Com o surgimento de bioinseticidas bacterianos de nova geração como NETURE™, o portfólio disponível ao canavieiro nunca foi tão completo — e os resultados no campo confirmam que é possível alcançar alta produtividade aliada à conservação do agroecossistema. 

A Syngenta está ao lado do produtor rural em todos os momentos, oferecendo as soluções necessárias para construirmos, juntos, um agro cada vez mais inovador, rentável e sustentável. Confira a central de conteúdos Mais Agro para ficar por dentro de tudo que está acontecendo no campo.